MINHA CAFETEIRA
QUEBROU:
A UTILIDADE DO DEBATE
ENTRE O SINO E EM
PARTE
DEMAIS PAÍSES ASIÁTICOS
SOBRE A PRODUÇÃO INDUSTRIAL DESCARTÁVEL
E O ANGLO SAXÃO E,
EM PARTE DEMAIS
PAÍSES EUROPEUS E
ALIADOS
DA PRODUÇÃO
INDUSTRIAL DE BENS DE LONGA DURABILIDADE
O debate que pretendo avançar nestas linhas não está associado a questões
de direitos autorais, tão pouco de trabalho escravo e desrespeito aos direitos
sociais, porque estas serão alvo de outro texto, somente valem aqui as questões
relativas aos bens produzidos e o uso de matéria de pouca duração com a falta
de peças de reposição de acordo com os dados fornecidos pelo fabricante.
A questão é tormentosa
e antiga, de um lado, se produz o que bem quer, em detrimento das atenções ao
respeito à segurança e eficácia do consumidor em seu direito de uso, após
regular pagamento, e, de outro, o quanto o modelo de longa duração, apesar de
gerar confiança do consumidor subtrai em parte o interesse evolucionista.
Não se diga aqui que
estou defendendo a produção de bens fora dos parâmetros exigidos pelos órgãos
internacionais e nacionais de controle de pesos, medidas, eficácia e de
consumidor; antes do contrário, estou alertando da importância de manter
padrões confiáveis de produtividade, ao mesmo passo em que, o novo deve
garantir espaço de existência até por questões evolucionistas.
De certo modo,
quando uma máquina overloque de costura é produzida na China e não tem, segundo
os técnicos que consultei no Brasil, condições de manutenção, porque nunca
volta a forma inicial, para poder vender máquinas novas, com novas funcionalidades,
o lado negativo da produção é a falta de manutenção, mas o lado positivo é o
interesse permanente de oferecer produtos com novas dinâmicas e novas
funcionalidades.
Na verdade o que
pretendo propor aqui é o alinhamento entre o pensamento conservador e
científico ao fato da rapidez evolucionista; neste ponto poderia se dizer o
quanto é sofrido e demorado, quanto burocrático e dispendiosos conseguir
realizar a tarefa de obter os direitos da propriedade industrial, e, o quanto,
testes de confiança, dos órgãos controladores, são, devem se manter assim,
exigentes, quanto aos itens de entrega aos bens de consumo, de modo que, por todos os acervos de adequação normativa,
escala de investigação, tempo e dinheiro, são contrários, de certa forma ao
fator evolucionista.
A pergunta é: como
conciliar os dois modelos de produção? Por que parece que os produtos feitos
sem muito ou nenhum respeito a estas normas, de certa forma, quando lançam
funcionalidades não previstas nos produtos mais elaborados, em verdade, servem
para contribuir para que os produtos mais elaborados sejam revistos para
acréscimos necessários do fator evolucionista.
Os esforços dos
agentes de liberação do comércio além-fronteiras de traduzir em avanços
comerciais conciliados com as exigências de padrão são louváveis, porém o que
existe de resultado prático, por exemplo, no caso da cafeteira que quebrou hoje
por descuido, e quebrou mesmo, acreditem, é que, saio de casa, crente que
haverá peça de reposição, uma simples jarra de vidro, compro, e, quando
retorno, a jarra não cabe na cafeteira.
A indústria chinesa
e modelos produtivos semelhantes só tem a ganhar se começar a elaborar melhor
seu modelo produtivo para se adequar às normas de confiança internacional,
porque o que se assiste, é que esta indústria hoje não está interessada em
deboche ou desprezo, o que interessa é pessoas incautas comprando, se
arrependendo, e, mesmo assim, por falta de opção, comprando de novo.
Interessante notar,
que os acervos jurisprudenciais que pesquisei, do direito de consumidor, dão conta
da associação indevida do consumidor a compra de produtos de procedência desta
natureza, apesar de terem sido comprados no comércio regular, minha cafeteira
foi comprada com nota fiscal em loja do comércio que está presente na praça
comercial há 40 anos, e, tem nome a zelar.
De certa forma, o
nome e prestígio alcançados pelas lojas que necessitam comprar produtos desta
natureza para sobreviver nos tempos de hoje, são associados de maneira até
quase inconsequente ao desprestígio do produto de procedência duvidosa, para
garantir a aquisição e revenda sem nenhum tipo de punição, o que não acontece
com os produtos de longa duração e que respeitam normas de produção.
Ou seja, o produtor
que espera o respeito pelo esforço é compelido a indenizar, e muito, os
consumidores insatisfeitos, o que, por incrível que pareça, não acontece com os
produtos de origem duvidosa, gerando desequilíbrio de perdas financeiras, e, ao
mesmo tempo, perda de padrões de competitividade.
O mercado têxtil da
região de Brusque/SC – Brasil, notabilizado nacional e mundialmente não teve
como resistir a este impacto cedendo espaço as matrizes de natureza dos
produtos de pouca duração, que dizem terem as mesmas características dos mais
caros nacionais, que sofrem mais sanções e mais tributação, tornando mais
oneroso o produto mais elaborado e menos competitivo, o resultado, assim, como
acontece no resto do mundo é que, em menos de 20 anos o mercado virou para o
percentual de produtos mais elaborados sofrer o revés de ser percentual
minoritário, quase sem aceitação, muitos ruindo e sucumbindo à falência.
A grande questão,
para além do colapso social, que, já disse não é o objeto destas linhas, é o
fato de que produtos de primeira grandeza vão se perdendo de uso em favor de
consumidores e da humanidade.
Não estou dizendo
que não me importo com as pessoas; me importo e muito, o que digo, é que a
proteção aos direitos de quem produz de forma mais onerosa está muito aquém do necessário
para garantir equilíbrio de forças, apesar de todos os esforços em contrário.
Assim, quando a
força reagente não produz efeito, o certo a fazer é garantir, se esta é a
prevalente em termos científicos, é buscar argumentos que garantam associação
de forças combatentes e convergentes, de modo a garantir equilíbrio e evolução.
Assim, apesar da
velocidade dos produtos de pouca duração, nas questões de processos produtivos
e criativos, estes precisam ser avaliados da mesma forma com que são avaliados
os produtos que sofrem os revezes de grandes investimentos antes de serem
lançados no mercado consumidor.
Até aí, não é nada
diferente do que se fala há muito tempo por cientistas da área, o que é
diferente, todavia, é a forma como esta colaboração ativa se apresentará pelos
órgãos internacionais, para garantir o equilíbrio de forças produtivas, sem
perder de vista a necessidade de que esta ação impositiva seja eficaz tanto
quanto célere.
Os esforços da
Organização Mundial do Comércio precisam de mais apoio de todos os setores
produtivos, além dos governos, meios universitários, fóruns permanentes de modo
a encontrar soluções que apontem o equilíbrio de forças, que, em primeiro
enfoque garantem a produção e consumo para todos, e, como efeito direto,
garantem a estabilidade das relações comerciais e de emprego, porque o que
interessa, sobretudo, é garantir a cada ser humano espaço digno de existência,
seja por uso de produto de origem Asiática ou de qualquer outro País, e, muito
além disto, que não tenha este ser humano preocupação de que sua ocupação de
emprego seja extinta ou escrava.
Desta forma, quando
minha cafeteira quebrar de novo, estarei feliz em comprar uma jarra que tenha o
respeito de produção e de consumo, ainda mais, nas relações entre o que é
permanente, substituível e evolucionista, estamos todos no mesmo barco,
qualquer movimento em favor de mais para um lado leva a pique o outro,
portanto, já que o barco se encontra em ritmo de possível desequilíbrio, vamos
todos nos esforçar para o retorno ao ponto de equilíbrio.
Brasil, 27 de julho
de 2016
Hélio Barreto
heliobsf@oab-sc.org.br
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